Saudades
da Minha Infância.
Horário
de verão. Saí de casa muito cedo, e já estava próximo à Universidade, quando,
de repente, me deparei com a mais surpreendente cena: como muitas pessoas
sabem, morei durante muitos anos onde atualmente é o Campus da UEPG. Digo que
ali foi o meu quintal. Foi nesse lugar que vivi intensamente momentos tristes e
felizes na minha vida. Foram esses pensamentos que inundaram a minha mente,
nesta manhã de verão. Ao adentrar no portal do Campus me deparei com uma pessoa
que trouxe ainda mais forte e mais vivo esse saudoso tempo, uma
menina brincava alegremente sobre o gramado, com um sorriso contagiante no
rosto. Parei para ver a bela cena, a menina pulava, corria e deitava na grama,
numa felicidade incomum. Lembrei da minha infância, de como é bom ser criança,
como é bom brincar e também, como o tempo passa rápido. Parece ontem, quando
esse local era meu quintal. Mas crescemos, nos tornamos adultos e as lembranças
da infância permanecem para sempre em nossa memória. Reflito sobre a infância
dos tempos modernos, tão desprovida de inocência, de sonhos, de brincadeiras e
de criatividade. Crianças hoje que brincam com jogos virtuais que incitam a
violência e o egocentrismo. Lembro como se fosse hoje das tardes passadas com os primos
entre bonecas e balanços improvisados na casa da avó. Do cheiro de café com
bolinho nos dias de chuva. Do gosto das frutas ainda verdes surrupiadas do
quintal do vizinho. De torcer para que fizesse sol todo dia pra poder brincar
“lá fora”. De brincar de amarelinha, 31 meu, ralar o joelho jogando bets,
de colher as frutas direto da árvore e poder saborear a mimosa, cheirosa e
doce. Como é bom poder relembrar, os momentos vividos, e poder renovar as
energias presentes, para tocar o barco, procurando remar a favor da maré, em
busca de um mundo melhor, com mais paz, respeito, amor, no qual as pessoas
aprendam a valorizar o ser e não apenas ter...
Como que num surto de
saudosismo, minha mente voltou ao tempo e cheguei a ver a casinha que morei com
minha família. Uma casa pequena, mas que era do tamanho ideal para acolher a
todos que nela moravam e também aos que nos visitavam. Meu pai, quando chegava
do trabalho, me pegava dormindo. Andava pé por pé, me dava um beijo na testa e
sussurrava: Eu te amo. Por vezes, acordava só para lhe dar um abraço e voltava
a dormir.
Lembro-me dos domingos que acordávamos bem cedinho para tomar um gostoso
café para depois irmos juntos à igreja participar
do culto e da escola dominical, onde aprendíamos tudo sobre as maravilhosas
histórias dos grandes heróis que existem na Bíblia, e o mais importante,
estudar mais sobre as sagradas escrituras que nos contam sobre o verdadeiro
amor que Deus tem por nós, que deu seu único filho para remissão dos
nossos pecados.
Destaco a importância
dessas lembranças, pois foram elas que me motivaram a optar pelo curso de
História. Bem como o compromisso com a educação de tentar construir um mundo
mais justo, mais humano para todos e todas.